Cristãos no Século XXI: Qual o futuro da Igreja?

Talvez seja difícil pensar no futuro nesses tempos agitados em que vivemos. De acordo com o falecido sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vivemos tempos líquidos, onde a existência de estabilidade e continuidade é um desafio. Pensar no futuro torna-se, então, um problema, pois as referências importantes para uma projeção estão ausentes já no hoje.

No que diz respeito à Igreja, temos um desafio ainda maior. Um coro cada vez mais alto grita que a Igreja está em crise, que ela já não é capaz de responder às questões do homem de hoje, que ela é retrógrada ou ultrapassada em seus ensinamentos e, quiçá, que ela é uma instituição falida.

Creio que nós, cristãos que vivemos nesse tempo, devemos tomar cuidado com todas essas afirmações, tirando delas aquilo que pode ser útil, mas olhando-as com o olhar da eternidade, ou seja, com o olhar de quem compreende que a Igreja não é somente uma realidade humana, natural, mas também sobrenatural.

Talvez uma das dificuldades do homem de hoje em projetar o futuro seja devida ao esquecimento do passado, ao enterro das tradições, ao apego ao novo e instantâneo. Vivemos uma ditadura da velocidade, onde o ‘agora’ é o único tempo que nos é tocado viver; entretanto, se em parte isso é verdade, não podemos esquecer que a existência não envolve somente o agora, mas também o ontem e o amanhã.shutterstock
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Nesse sentido, a Igreja é uma mestra de existir no tempo. Ela, há dois mil anos, navega por mares muitas vezes bravios. Desde seu início, vivenciou tempestades. Aquele sobre o qual foi construída negou 3 vezes o seu fundador. Aqueles que constituíam seus primeiros representantes fugiram enquanto seu mestre era pregado na cruz, mas, mesmo assim, ela resistiu.

A Igreja foi perseguida, criticada, viu seus representantes serem mortos. Viu Impérios caírem, surgirem. Errou, foi chamada de prostituta. Acertou, viu santos e mártires darem a vida por outros, por Cristo, mas continuou através dos séculos levando o Caminho, a Verdade e a Vida.Serhii Ivashchuk/ Shutterstock
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Alguns dizem que ela está em crise. Creio que a Igreja nasceu em crise: Cristo foi morto. Entretanto, também creio que a Igreja transcendeu a crise: Cristo ressuscitou. A Igreja vai para além da crise, ela conduz o homem caído para a salvação, para o Amor, para a eternidade.

Qual o futuro da Igreja? Creio que será com Cristo, como Ele mesmo nos prometeu. Creio que será o futuro que não esquece do passado, que se constrói no presente e que almeja a eternidade. Creio que será o futuro daqueles que jamais desistiram de amar.


fonte: a12.com


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