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Aparecida | SP

Jovens eslovenos encenaram encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida

No último domingo (02), o Arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Raymundo Damasceno Assis, realizou a entronização de uma réplica da Imagem de Nossa Senhora Aparecida na Eslovênia, país do leste europeu.

 

No Mosteiro de Sticno, região de Liubliana, capital do país, o cardeal presidiu uma celebração solene na presença de autoridades civis e eclesiásticas, além de jovens eslovenos que vieram ao Brasil em 2013, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. Durante a celebração, os jovens encenaram o milagre do Encontro da Imagem da Padroeira do Brasil no Rio Paraíba do Sul, em 1717.

Confira as palavras do Cardeal Damasceno:

Liubliana, domingo, 2 de março de 2014

Exmo. Sr. Núncio Apostólico, Mons. Juliusz Janusz; Exmo. Presidente da Conferência Episcopal da Eslovênia, Bispo de Novo Mesto e Administrador Apostólico da Arquidiocese de Liubliana, Mons. Andrej Glavan;Revmo. Abade do Monastério de Stična, Pe. Janez Novak; Revmo. Secretário-Geral da Conferência Episcopal da Eslovênia, Pe. Tadej Strehovec;Exmo. Embaixador do Brasil, Sr. Gilberto Fonseca Guimarães de Moura;

Revmo. Padre Maksimilijan, coordenador da recepção da Celebração da recepção da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no Monastério de Stično;Exma. Embaixadora da Espanha junto à Eslovênia, Sra. Anunciada Fernández de Córdova Alonso-Viguera;
Exma. Embaixadora da Itália junto à Eslovênia, Rossella Franchini-Sherifis e seu esposo, Embaixador Michael E. Sherifis;Exmo. Secretário de Estado dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da Eslovênia, Embaixador Igor Senčar e Exma. esposa;
Exma. Sra. Madalena Leal de Faria, cantora lírica,coordenadora dos Cantos da Missa da Entronização;Ilustres integrantes da Missão Diplomática do Brasil junto à Eslovênia

“Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegrará no meu Deus” (Is 61,10). Ouvimos estas palavras na primeira leitura da Santa Missa de hoje. Com elas se inicia o cântico da Bem-aventurada Virgem Maria, o Magnificat, que a Igreja repete todos os dias na celebração das Vésperas. Com estas mesmas palavras quero começar esta homilia, pois elas representam verdadeiramente nossos sentimentos neste momento. É grande a alegria que sinto de poder vir acompanhando a Venerada Imagem da amada Rainha e Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Jovens que estiveram na Jornada Mundial da
Juventude Rio 2013 encenaram o encontro da
Imagem nas águas do Rio Paraíba.

O Santo Evangelho, hoje, nos apresentou o encontro entre a Virgem Maria e sua prima Santa Isabel. Precisamente esta palavra – encontro – é a que define o milagre ocorrido no Brasil há quase 300 anos, na segunda quinzena de outubro de 1717. Acabamos de assistir a encenação desse encontro, feita tão belamente que nos emocionou.

O Santo Padre, Papa Francisco, antes do início da Jornada Mundial da Juventude, dia 24 de julho de 2013, quis ir ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, como Romeiro, palavra usada no Brasil que significa Peregrino. Com isso, Sua Santidade quis confiar a Nossa Senhora a Jornada que teria início no dia seguinte, bem como, a Igreja no Brasil e todo o povo Brasileiro. Naquela ocasião, ele nos convidou a conservar a esperança, a deixar-nos surpreender por Deus e a viver na alegria. Deste modo ele, em três pontos, sintetizou a verdadeira e atual espiritualidade mariana. Três dias depois, no encontro com os Bispos do Brasil presentes à Jornada, ele voltou-se, uma vez mais, a Nossa Senhora Aparecida, e, partindo dos fatos históricos, fez, ao modo dos Santos Padres, uma interpretação espiritual de seu significado e do compromisso que eles encerram. Eu me permito aqui retomar alguns pontos destacados pelo Santo Padre.

Nos encontramos aqui, diante de uma imagem simples, pequena e negra. Mas nessa imagem veneramos algo muito maior: o amor misericordioso de Deus

Ele recordou que no início do milagre está a experiência da fraqueza e até da falência. Não era tempo de pesca, os pescadores eram pobres, seus barcos e suas redes eram muito frágeis e simples. Mas eles perseveraram na esperança, e Deus revelou sua presença de um modo inesperado: fez refletir sua beleza em uma imagem da Virgem Maria, também muito simples tanto a imagem quanto a Virgem. E, além disso, a imagem estava já escurecida pelas águas do rio e pelo tempo. “Deus entra sempre nas vestes da pequenez”, conclui disso o Santo Padre. E, disso, ele tira algumas conclusões:

– a imagem foi encontrada aos poucos, primeiro o corpo, depois a cabeça em dois lances de rede: Deus dá uma mensagem de recomposição, de unidade, que precisa da nossa paciência;- os pescadores levaram para casa o “mistério”: o povo simples e piedoso sempre tem espaço para o mistério;
– os devotos cobrem a imagem com um manto: é Deus que nos cobre com sua proteção, mas, antes, Ele se faz mendigo do nosso acolhimento;- os pescadores convidaram os vizinhos para partilharem com eles a contemplação do mistério, em oração: a experiência de Deus – a fé – quando é autêntica, traz consigo a necessidade de ser partilhada.

Disso, o Santo Padre concluía que a Igreja não pode “desaprender” a lição de Aparecida: a fragilidade é o meio escolhido por Deus para realizar sua obra; a Igreja deve sempre lembrar que não pode se afastar da simplicidade.

Queridos irmãos e irmãs, nós nos encontramos aqui, diante de uma imagem simples, pequena e negra. Mas nessa imagem veneramos algo muito maior: o amor misericordioso de Deus, que, por meio daquela que foi chamada “bendita porque acreditou” (Lc 1,45), nos concedeu, como “fruto de seu ventre” (v. 42), a visita de Nosso Senhor (v. 43), como reconheceu, extasiada e agradecida, Santa Isabel. E por reconhecermos a visita do próprio Deus Salvador, podemos, agradecidos, exclamar com Santa Isabel: “como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (v. 43). E, humildemente, podemos também nos associar à jubilosa exclamação da Virgem Mãe de Deus: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador” (v. 47).

Agradeço à Igreja na Eslovênia, na pessoa do Presidente de sua Conferência Episcopal, Mons. Andrej Glavan; ao Sr. Núncio Apostólico Mons. Juliusz Janusz, à Abadia de Stično, na pessoa do Revmo. Abade, Pe. Janez Novak por acolher nesta Basílica de Nossa Senhora das Dores a venerada imagem, e ao Sr. Embaixador Gilberto Fonseca Guimarães de Moura a inciativa e o apoio concedido.

Possam o povo Esloveno e a Igreja na Eslovênia serem associados ao patronato e à real proteção de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Muito obrigado.

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida, SP, Brasil